1. Luz
Na luz há fótons.
Os fótons são partículas elementares.
Eles trazem consigo a energia luminosa
E a energia eletromagnética
De todos os cumprimentos de onda.
2. Quarks
Quarks são pequenos e úteis.
Compõem os hádrons, dentre os quais estão prótons e nêutrons.
Down, up, charm, strange, top, bottom
São seus tipos.
3. Sol
O Sol é uma estrela.
Estrelas são enormes e
Massivas bolas de plasma.
4. Manhã
Manhã é a parte do dia em que
Nasce o Sol, ao leste.
5. Dia
Período de uma rotação da Terra em torno de seu eixo.
6. O dia do título
Foi quando Dona Helena, a primeira a acordar na aldeia, levantou-se do colchão macio e vazou para fora das cobertas quentes e viu que não havia luz. "Onde 'tão aqueles fótons da peste?", pensou com seus botões.
Foi aquele dia em que ela coçou o buço e logo viu que havia algo fora do lugar. "Opa," sussurrou para si própria, "onde será que 'tá aquela bolota de plasma dos diabo?" Foi até a janela, absoluta, anti-quântica, e tava "tudo um breu danado, meu bom Jesus amado!"
Nesse dia, seus ups e downs continuavam ups e downs, mas seu spin era strange. "Virge Maria, vai ver que o eixo emperrou?" Foi ver se havia óleo para eixos de rotação. Estava em falta, mas quem sabe o Seu Valdir tinha.
"Seu Valdir, acorda Seu Valdir", berrava Dona Helena. Acordou Dona Hermengarda, Dona Lisandra, Seu Jasão, Seu Jonas e a Laila. "Mas qu'é isso, Dona Helena, co'esses barulho a essa hora da manhã, a senhora bebeu, foi?"
"Que bebi que o que, Seu Valdir!", ela retrucou de volta. "Olha o céu, peste!"
"Eita ferro"
"Pois não é que 'tá tudo escuro, home!" Dona Hermengarda esganiçou. "Minha Santa Genoveva, será que deu problema na fusão de hélio?" Acordou o Seu Hélio. "Que barulheira é essa aqui nessa budega?"
"É que o Sol 'tá mangando de nós, Seu Hélio", Dona Helena explicou, arrazoada. "Escuta, Seu Valdir, heim, Seu Valdir, heim! O senhor não ia ter um óleo de eixo planetário aí não, né?" Fez um charme.
"Não é que sobrou da última vez?"
7. Saga
Eles viajaram até o templo de Atlas, onde bateram um papinho com o Beto. "Será que você podia ver a chave pra nós passar um oleozinho no eixo e o dia nascer?" Perguntou Dona Lisandra. "Ih, vai ser difícil, mulher", ele respondeu. "Tem que ir lá no departamento do Gal", ele disse, "mas eu acho que ele 'tá viajando, é".
"Tu não 'tá de broma co'a gente não, é?" Seu Jasão desafiou. "Que eu de broma ora veja lá minha cara de broma". Se meteram numa discussão, Seu Jonas os separou e disse: "Pára de brigar que a gente tem que ver de achar o protocolo com Seu Bór"
Foram até o escritório do Bór, mas ele estava almoçando. Quando, finalmente, ele chegou, todos fizeram grande festa. Ele lhes deu o protocolo, e a Laila, a mais jovenzinha, foi quem escreveu tudo com a letra redonda dela. "E agora?" Quis saber Dona Helena.
"Agora eu envio o protocola, oras. Sangue de Jesus tem poder, quanto papel, minha Nossa Senhora de Lourdes!"
8. Conclusão
Deu no que deu, conseguiram passar óleo no eixo do mundo, mas tão tarde que já era meio-dia.
E eu digo pro meu povo:
Essa história assim e assado,
Quem quiser ouvir de novo,
Vai ter que pagar dobrado!
Proposta:
"Os 11 motivos do jacaré"
Desafio da Última Linha
Acompanhe aqui as sugestões de cada um:
Desafio dos Títulos -Encerrado
sábado, 8 de novembro de 2008
Emenda
Victor e eu alteramos as regras do jogo-desafio corrente (por meio deste, Cássia, esteja devidamente precatada):
No lugar de, ao final de cada novo texto pertinente ao desafio, escrever-se uma nova proposta, é tido que seja lançada UMA nova proposta APENAS quando se houverem escrito DOIS textos, um relativo a cada desafio.
Exemplifico: já escrevi "O fim de uma era" e vou escrever aquele do sol que nasce mas não nasce, e somente uma proposta será encaminhada, ao final do segundo texto.
Isso porque notamos, eu e Victor, que, se a cada nova proposta surgissem dois textos, cada um com uma proposta diferente, a quantidade de textos aumentaria em progressão geométrica (se, obviamente, todos respondessem todas as propostas- o que não é compulsório, mas uma prerrogativa justa). No novo formato, a quantidade de textos a serem escritos manter-se-á a mesma, colaborando com os amiguinhos.
Mm. Isso aí.
No lugar de, ao final de cada novo texto pertinente ao desafio, escrever-se uma nova proposta, é tido que seja lançada UMA nova proposta APENAS quando se houverem escrito DOIS textos, um relativo a cada desafio.
Exemplifico: já escrevi "O fim de uma era" e vou escrever aquele do sol que nasce mas não nasce, e somente uma proposta será encaminhada, ao final do segundo texto.
Isso porque notamos, eu e Victor, que, se a cada nova proposta surgissem dois textos, cada um com uma proposta diferente, a quantidade de textos aumentaria em progressão geométrica (se, obviamente, todos respondessem todas as propostas- o que não é compulsório, mas uma prerrogativa justa). No novo formato, a quantidade de textos a serem escritos manter-se-á a mesma, colaborando com os amiguinhos.
Mm. Isso aí.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
[Desafio] O fim de uma era
No tempo que a grama crescia, verde, ostentosa, grama, centímetro a centímetro, viu o mundo. Coisas aconteceram, pois não antes, com as mudanças se muito encantava ela, assim, verde, grama, discreta, silenciosa. Lá quando a família da piscina veio estava, pés de criança; da borracha, o cheiro, o látex. D'escola foi que não ouviu a festa que o adolescente fez, mas isso sim, banho de cerveja levou.
Tomou graça das loucas do casal do cachorro; tomou ojeriza do cocô fedido, fedido. Tão enfim não mais, era grama, verde, loura, coisa, grama. Que ainda não tudo, coisas maiores viu! Viu mudanças, viu mudanças. O novo presidente, há lá levado consigo. Revolucionou ele, fez ainda mexida, sutil tanto quanto!
Sussussuou e fralaralou dos ventos, aquilo, que ventos! Levou mais banho foi, na água. Presenciou e sofreu com a limpeza; uma lufa-lufa baratébria; bradaria. Só que é paciente. Ter final é grama, verde, grama, velha. Esqueceu a outra parte, nina, e agora só lhe restou correr o resto do tempo em trepa.
Mas um dia acabou a piscina e os pés e o látex e a cerveja e o casal e o cocô e o presidente e os ventos e a grama, a que o homem veio aparar e levantou percevejo. Acabou a grama, verde, garapa, dilacerada, grama, morta.
O fim de uma era. O fim da era da grama. Aliás, outras gramas, mais verdes, estão por vir. Mais verdes, mais grama, mais centímetros. Se lhes baste que a espera!
Proposta:
(veja elucidação no post seguinte -- a proposta deste texto será a mesma que a do próximo)
Tomou graça das loucas do casal do cachorro; tomou ojeriza do cocô fedido, fedido. Tão enfim não mais, era grama, verde, loura, coisa, grama. Que ainda não tudo, coisas maiores viu! Viu mudanças, viu mudanças. O novo presidente, há lá levado consigo. Revolucionou ele, fez ainda mexida, sutil tanto quanto!
Sussussuou e fralaralou dos ventos, aquilo, que ventos! Levou mais banho foi, na água. Presenciou e sofreu com a limpeza; uma lufa-lufa baratébria; bradaria. Só que é paciente. Ter final é grama, verde, grama, velha. Esqueceu a outra parte, nina, e agora só lhe restou correr o resto do tempo em trepa.
Mas um dia acabou a piscina e os pés e o látex e a cerveja e o casal e o cocô e o presidente e os ventos e a grama, a que o homem veio aparar e levantou percevejo. Acabou a grama, verde, garapa, dilacerada, grama, morta.
O fim de uma era. O fim da era da grama. Aliás, outras gramas, mais verdes, estão por vir. Mais verdes, mais grama, mais centímetros. Se lhes baste que a espera!
Proposta:
(veja elucidação no post seguinte -- a proposta deste texto será a mesma que a do próximo)
domingo, 2 de novembro de 2008
[Desafio] O motorista e a omelete
Mesmo que não fosse dos grandes chefs de cozinha franceses, ele arriscou fazer sua primeira refeição por conta própria, afinal ou assim era ou morreria de fome.
Era seu primeiro dia sozinho em casa e até então tudo havia corrido bem, o que era bem lógico, pois acordara havia uns trinta e sete minutos. Como não morresse, tudo havia corrido bem. Ótimo.
O recado na geladeira era tentador: "Querido filho, mamãe foi ao médico e volta tarde. Tem arroz na geladeira. Asse uns nuggets para você. Te amo!", mas ele buscava mais.
O arroz, tudo bem, estava pronto. Mas como acompanhamento...
Recusava-se a preparar aqueles frios empanados no forno elétrico, apesar de já ter feito isso uma boa dezena de vezes.
Hoje era um dia especial. O dia da sua libertação, quando das suas mãos sairia o alimento necessário à sua vida. Épico!
Metódico como um cientista, o menino de 13 anos colocou sobre a bancada tudo o que precisava para sua aventura culinária: ovos, presunto, colher de pau, queijo, prato, manteiga, sal, frigideira e coragem.
Acender o fogão era simples: já havia visto a mãe fazê-lo várias vezes.
Findo o desafio de controlar o fogo (já se sentia tão superior aos homens das cavernas, o menino!), copiou com cuidado a memória dos gestos da mãe.
Nada havia de complicado. Precisou apenas pôr a manteiga na frigideira, colocar a frigideira no fogo, bater os ovos no prato (ai, que dor!), derramar com leveza os ovos batidos na frigideira, despejar um pouco de sal sobre os ovos batidos, esperar o ponto, virar a omelete e voilà! Estava pronto seu divino acompanhamento.
O resultado, para o pequeno, fora tão delicioso que, apesar da pouca experiência em cozinha, já não se considerava um reles "piloto de fogão".
Era um motorista!
Era seu primeiro dia sozinho em casa e até então tudo havia corrido bem, o que era bem lógico, pois acordara havia uns trinta e sete minutos. Como não morresse, tudo havia corrido bem. Ótimo.
O recado na geladeira era tentador: "Querido filho, mamãe foi ao médico e volta tarde. Tem arroz na geladeira. Asse uns nuggets para você. Te amo!", mas ele buscava mais.
O arroz, tudo bem, estava pronto. Mas como acompanhamento...
Recusava-se a preparar aqueles frios empanados no forno elétrico, apesar de já ter feito isso uma boa dezena de vezes.
Hoje era um dia especial. O dia da sua libertação, quando das suas mãos sairia o alimento necessário à sua vida. Épico!
Metódico como um cientista, o menino de 13 anos colocou sobre a bancada tudo o que precisava para sua aventura culinária: ovos, presunto, colher de pau, queijo, prato, manteiga, sal, frigideira e coragem.
Acender o fogão era simples: já havia visto a mãe fazê-lo várias vezes.
Findo o desafio de controlar o fogo (já se sentia tão superior aos homens das cavernas, o menino!), copiou com cuidado a memória dos gestos da mãe.
Nada havia de complicado. Precisou apenas pôr a manteiga na frigideira, colocar a frigideira no fogo, bater os ovos no prato (ai, que dor!), derramar com leveza os ovos batidos na frigideira, despejar um pouco de sal sobre os ovos batidos, esperar o ponto, virar a omelete e voilà! Estava pronto seu divino acompanhamento.
O resultado, para o pequeno, fora tão delicioso que, apesar da pouca experiência em cozinha, já não se considerava um reles "piloto de fogão".
Era um motorista!
Proposta:
O fim de uma era
[Desafio] O motorista e a omelete
- Amor...amor...eu ‘tô com um desejo..
-
Odair trabalhava naquela casa havia alguns anos. Recentemente, com a gravidez da patroa cada vez mais perto do fim, recebia extra pra ficar de prontidão todas as noites, em caso de alguma emergência. Como a gestação vinha sendo tranqüila e nada tinha acontecido, o motorista geralmente passava as horas dormindo no quartinho ao lado da garagem. Assim, foram precisas três ligações para o rádio para que Odair quebrasse sua rotina e acordasse, dizendo um oi rápido e sobressaltado.
- Odair...temos problemas.
- Aconteceu alguma coisa com a Dona Martha, patrão?
- Não exatamente, ela...ela..quer um omelete
- Ahn...desculpa a indelicadeza, Seu Roger, mas o senhor não acha que pra isso era melhor ir pra cozinha?
- Então, esse é o problema... Não tem ovo em casa- Odair ficou em silêncio, percebendo o que viria a seguir- Você se importaria de ir ao mercado?
-
Ir ao mercado seria uma coisa simples e fácil, não fossem alguns detalhes.
Naquela parte da cidade nada era perto a ponto de se poder ir a pé. Como se isso não fosse o suficiente, os ricos da região, como Seu Roger e Dona Martha, gostavam de ter suas mansões em lugares ainda mais longes e isolados. Em conseqüência, as compras da casa eram normalmente feitas por telefone, ou tinham um dia inteiro reservado para fazê-las.
Comprar um ovo naquelas situações era uma tarefa quase hercúlea. Olhando para o relógio, Odair viu que eram 3 horas da manhã. De um domingo. Suspirou e ajustou sua armadura - uniforme completo com gravata, luva, sapatos lustrosos e quepe - e partiu rumo ao seu primeiro trabalho.
-
Quando Odair encontrou um mercado 24 horas se sentiu muito sortudo. Tão sortudo que nem ligou para os olhares estranhos que recebeu dos funcionários, alguns deles quase dormindo recostados nas prateleiras. Terminou de depositar os ovos sobre o caixa e algo lhe ocorreu. Encostou o quepe no peito, pediu à caixa que esperasse e pegou o rádio.
- E então, Odair, 'tá chegando?
- Na verdade, não, 'tô no mercado ainda...mas é que..a patroa quer omelete de que?
- Como assim, Odair?
- Tem tudo que precisa na casa? Sabe como é né, senhor, omelete não se faz só de ovo...
-
Dirigiu muito mais rápido do que o recomendável - o pedido havia sido feito já há um tempo e ninguém queria uma criança nascendo com cara de ovo- e saiu do carro já passando um rádio para o chefe.
- 'Tô chegando co'os ovos, patrão!!- silêncio e suspiro pesado do outro lado e Odair parando no meio das escadas
- Que foi, Seu Roger? Dona Martha perdeu o desejo?
- Não, não, antes fosse. É a Rosa, Odair. Eu esqueci que a Rosa tá na casa dela hoje.
- ...e qual o problema nisso?
- eu não sei cozinhar.
-
Odair então se viu tirando o casaco e levantando as mangas, ligando o gás e arrumando as coisas na bancada. Olhou para tudo alguns minutos, viu a graça da situação e começou o segundo trabalho.
Quebrou três ovos num prato e misturou bem a clara e a gema com um garfo (movimentos circulares, movimentos circulares, movimentos circulares). Colocou a frigideira na primeira boca do fogão, adicionou um pouquinho do óleo e depositou metade do conteúdo do prato e, em seguida, os complementos. Arrumou pra que ficasse o mais redondinho possível, esperou um pouco e virou. Esperou mais um pouco e tirou da panela, botando num prato limpo. Colocou mais óleo e a segunda metade do conteúdo do primeiro prato e fez tudo de novo.
Sorriu para sua obra prima.
-
Nem cinco minutos de fogo aceso depois, Seu Roger abriu a porta do quarto e se deparou com um Odair impecavelmente uniformizado carregando uma bandeja de prata com dois omeletes, um copo de suco de uva e alguns dos docinhos do pote da cozinha. Sorriu para o motorista, que também mostrava os dentes, e pegou a bandeja de sua mão, murmurando um obrigada e anunciando a esposa que seu 'desejo' havia chegado.
-
Odair estava cansado e já com a gravata frouxa quando recebeu o que esperava ser o último rádio da noite lhe comunicando que fazia 'o melhor omelete do mundo', nas palavras de uma grávida faminta.
Olhou para a pia ainda desarrumada e sua barriga roncou.
Hora de fazer outra omelete.
-
Proposta:
O belíssimo dia em que o sol se levantou e a manhã não nasceu
-
Odair trabalhava naquela casa havia alguns anos. Recentemente, com a gravidez da patroa cada vez mais perto do fim, recebia extra pra ficar de prontidão todas as noites, em caso de alguma emergência. Como a gestação vinha sendo tranqüila e nada tinha acontecido, o motorista geralmente passava as horas dormindo no quartinho ao lado da garagem. Assim, foram precisas três ligações para o rádio para que Odair quebrasse sua rotina e acordasse, dizendo um oi rápido e sobressaltado.
- Odair...temos problemas.
- Aconteceu alguma coisa com a Dona Martha, patrão?
- Não exatamente, ela...ela..quer um omelete
- Ahn...desculpa a indelicadeza, Seu Roger, mas o senhor não acha que pra isso era melhor ir pra cozinha?
- Então, esse é o problema... Não tem ovo em casa- Odair ficou em silêncio, percebendo o que viria a seguir- Você se importaria de ir ao mercado?
-
Ir ao mercado seria uma coisa simples e fácil, não fossem alguns detalhes.
Naquela parte da cidade nada era perto a ponto de se poder ir a pé. Como se isso não fosse o suficiente, os ricos da região, como Seu Roger e Dona Martha, gostavam de ter suas mansões em lugares ainda mais longes e isolados. Em conseqüência, as compras da casa eram normalmente feitas por telefone, ou tinham um dia inteiro reservado para fazê-las.
Comprar um ovo naquelas situações era uma tarefa quase hercúlea. Olhando para o relógio, Odair viu que eram 3 horas da manhã. De um domingo. Suspirou e ajustou sua armadura - uniforme completo com gravata, luva, sapatos lustrosos e quepe - e partiu rumo ao seu primeiro trabalho.
-
Quando Odair encontrou um mercado 24 horas se sentiu muito sortudo. Tão sortudo que nem ligou para os olhares estranhos que recebeu dos funcionários, alguns deles quase dormindo recostados nas prateleiras. Terminou de depositar os ovos sobre o caixa e algo lhe ocorreu. Encostou o quepe no peito, pediu à caixa que esperasse e pegou o rádio.
- E então, Odair, 'tá chegando?
- Na verdade, não, 'tô no mercado ainda...mas é que..a patroa quer omelete de que?
- Como assim, Odair?
- Tem tudo que precisa na casa? Sabe como é né, senhor, omelete não se faz só de ovo...
-
Dirigiu muito mais rápido do que o recomendável - o pedido havia sido feito já há um tempo e ninguém queria uma criança nascendo com cara de ovo- e saiu do carro já passando um rádio para o chefe.
- 'Tô chegando co'os ovos, patrão!!- silêncio e suspiro pesado do outro lado e Odair parando no meio das escadas
- Que foi, Seu Roger? Dona Martha perdeu o desejo?
- Não, não, antes fosse. É a Rosa, Odair. Eu esqueci que a Rosa tá na casa dela hoje.
- ...e qual o problema nisso?
- eu não sei cozinhar.
-
Odair então se viu tirando o casaco e levantando as mangas, ligando o gás e arrumando as coisas na bancada. Olhou para tudo alguns minutos, viu a graça da situação e começou o segundo trabalho.
Quebrou três ovos num prato e misturou bem a clara e a gema com um garfo (movimentos circulares, movimentos circulares, movimentos circulares). Colocou a frigideira na primeira boca do fogão, adicionou um pouquinho do óleo e depositou metade do conteúdo do prato e, em seguida, os complementos. Arrumou pra que ficasse o mais redondinho possível, esperou um pouco e virou. Esperou mais um pouco e tirou da panela, botando num prato limpo. Colocou mais óleo e a segunda metade do conteúdo do primeiro prato e fez tudo de novo.
Sorriu para sua obra prima.
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Nem cinco minutos de fogo aceso depois, Seu Roger abriu a porta do quarto e se deparou com um Odair impecavelmente uniformizado carregando uma bandeja de prata com dois omeletes, um copo de suco de uva e alguns dos docinhos do pote da cozinha. Sorriu para o motorista, que também mostrava os dentes, e pegou a bandeja de sua mão, murmurando um obrigada e anunciando a esposa que seu 'desejo' havia chegado.
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Odair estava cansado e já com a gravata frouxa quando recebeu o que esperava ser o último rádio da noite lhe comunicando que fazia 'o melhor omelete do mundo', nas palavras de uma grávida faminta.
Olhou para a pia ainda desarrumada e sua barriga roncou.
Hora de fazer outra omelete.
-
Proposta:
O belíssimo dia em que o sol se levantou e a manhã não nasceu
sábado, 1 de novembro de 2008
Não escreveu o título
Escreveu uma página em branco e acordou no dia seguinte. Não viu as roupas suadas largadas pelo chão do quarto, não tropeçou em nenhuma delas. Tomou banho, tomou café. Saiu de casa, entrou na van. Coisas da classe média. Esperou que ele chegasse, quis que se sentasse ao seu lado, onde sempre se sentava.
Seus olhos não se encontraram. Suas mãos não tatearam o medo e o suor e os sonhos. Ele não falou que queria tê-lo, que queria amá-lo, que lhe queria, lhe queria demais. Ele não segurou em sua mão, não a acariciou com a sutileza da beleza da inércia juvenil, e ele não gostou de ter sua mão tão ternamente tocada.
Não se olharam de novo. Ele não lhe deu a página em branco que escrevera, ele não a leu e não fez silêncio, um silêncio plano e estático. Ele não fez uma cócega nos seus lábios com a pontinha dos dedos e não disse que queria beijá-lo. Ele não o beijou. Eles não se beijaram. Eles não se abraçaram.
Chegaram ao destino final. É aqui, é o último dia em que se veriam. Não deram uma última olhada, não deram um último beijo, ornado com um último suspiro de saudade antecipada. Levantaram-se e não se despediram. Nunca mais se viram.
E ele nunca mais viveu.
Título para o próximo texto: "O motorista e a omelete"
Seus olhos não se encontraram. Suas mãos não tatearam o medo e o suor e os sonhos. Ele não falou que queria tê-lo, que queria amá-lo, que lhe queria, lhe queria demais. Ele não segurou em sua mão, não a acariciou com a sutileza da beleza da inércia juvenil, e ele não gostou de ter sua mão tão ternamente tocada.
Não se olharam de novo. Ele não lhe deu a página em branco que escrevera, ele não a leu e não fez silêncio, um silêncio plano e estático. Ele não fez uma cócega nos seus lábios com a pontinha dos dedos e não disse que queria beijá-lo. Ele não o beijou. Eles não se beijaram. Eles não se abraçaram.
Chegaram ao destino final. É aqui, é o último dia em que se veriam. Não deram uma última olhada, não deram um último beijo, ornado com um último suspiro de saudade antecipada. Levantaram-se e não se despediram. Nunca mais se viram.
E ele nunca mais viveu.
Título para o próximo texto: "O motorista e a omelete"
Primeiro grande desafio
Num momento de inspiração, passou-me pela cabeça propor um pequeno desafio aos bravos blogueiros que resistiram e continuaram escrevendo aqui. Nada muito elaborado ou complicado.
Funcionará da seguinte forma, com as seguintes regras:
O blogueiro deverá sugerir um título para que o próximo postante possa desenvolver um texto (seja ele uma dissertação, um conto, uma crônica ou um poema) em cima da proposição.
1) A proposta só poderá ser feita após um texto pertencente ao desafio, salvo o primeiro.
2) A postagem do texto será feita com a seguinte formatação:
[Desafio] Título sugerido
Texto.
3) Outros textos, fora do desafio, poderão ser postados.
4) Limite de DOIS textos por título, seja ele da mesma pessoa ou de pessoas diferentes.
5) Aquele que postou a sugestão NÃO poderá se utilizar desta para participar do desafio.
Talvez depois.
Boa verborréia, meus queridos :)
Funcionará da seguinte forma, com as seguintes regras:
O blogueiro deverá sugerir um título para que o próximo postante possa desenvolver um texto (seja ele uma dissertação, um conto, uma crônica ou um poema) em cima da proposição.
1) A proposta só poderá ser feita após um texto pertencente ao desafio, salvo o primeiro.
2) A postagem do texto será feita com a seguinte formatação:
[Desafio] Título sugerido
Texto.
3) Outros textos, fora do desafio, poderão ser postados.
4) Limite de DOIS textos por título, seja ele da mesma pessoa ou de pessoas diferentes.
5) Aquele que postou a sugestão NÃO poderá se utilizar desta para participar do desafio.
Talvez depois.
Boa verborréia, meus queridos :)
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