Eis que, então, o dia era chegado. A plateia encontrava-se afoita e apreensiva. Não era todo dia que, por aquelas bandas da bela cidade praiana, erguia-se tão primoroso castelo. E lá estava ele, imponente, como que a olhar para todos, que, de tão encantados com a obra, chegavam a ter borboletas no estômago, um frio na barriga dos de felicidade contida, pronta pra escapar num sorriso, numa risada, num enleio qualquer, especialmente naquele que construira aquilo tudo. Havia no mundo coisa mais bela que esse tal castelo, perguntavam-se os espectadores, prontos para o momento do corte da fita, o momento da inauguração, que abalaria a cidadela e traria um belo motivo para sorrir àqueles que ali admiravam a obra.
E a plateia era somente o Tempo e o construtor, que muito pouco se importava se as pessoas não reparassem em seu magnífico prédio, mas achava estranho que ninguém visse algo de tal magnitude, mesmo que não fosse o maior dos castelos. Era, achava, apenas questão de tempo para alguém notá-lo (dados o empenho e a velocidade com que tinha construído) e correr o burburinho cidadela afora. Porém, no local da inauguração, não havia ninguém que não ele, talvez por medo do tempo, que já não sorria como no momento da construção do castelo.
E o castelo era feito de areia, com formato de balde virado, uma bandeirola improvisada e com não mais que vinte e cinco centímetros, tendo lugar na praia. Pobre, mas bonito. Repare na forma com que a areia fica coesa e em harmonia com o adorno! Há no mundo coisa mais romântica ou barroca ou pré-moderna?
Alheio ao engenho e à arte do rapaz, o Tempo fechou-lhe a cara e resolveu parar de esperar a inauguração e cancelá-la, descendo chuva torrencial de verão e desconstruindo aquilo que o rapaz fizera. Eis que, então, o corte das fitas era cancelado.
É inveja. Inveja!
Desafio da Última Linha
Acompanhe aqui as sugestões de cada um:
Desafio dos Títulos -Encerrado
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Tem o peso de uma lembrança
Odeio Clarice.
Na verdade não, sabe, é tudo muito novo.
É que Clarice sempre tem um quê de tristeza, um quê de abandono - e aquelas epifanias não fazem bem a ninguém. Aí eu começo a ler e ter as minhas, e eu vejo claramente que entre nós jamais daria certo, porque foi tudo perfeito demais desde o início. E perfeição, meu bem, não leva a nada. Aí eu paro e vou pra livros com protagonistas podres e coloco nossos nomes no lugar.
Mas ai eu lembro de todas as suas qualidades que depois viraram defeitos e me dá um angustia daquelas ruins. Então eu tenho é que voltar pros meus livros femininos, que me dão uma angustia diferente que sempre me acalma de uma maneira estranha.
Mas eu não acho a calma, só você.
E então odeio Clarice ainda mais.
edit: versão 1.0, esperando ser editado
Na verdade não, sabe, é tudo muito novo.
É que Clarice sempre tem um quê de tristeza, um quê de abandono - e aquelas epifanias não fazem bem a ninguém. Aí eu começo a ler e ter as minhas, e eu vejo claramente que entre nós jamais daria certo, porque foi tudo perfeito demais desde o início. E perfeição, meu bem, não leva a nada. Aí eu paro e vou pra livros com protagonistas podres e coloco nossos nomes no lugar.
Mas ai eu lembro de todas as suas qualidades que depois viraram defeitos e me dá um angustia daquelas ruins. Então eu tenho é que voltar pros meus livros femininos, que me dão uma angustia diferente que sempre me acalma de uma maneira estranha.
Mas eu não acho a calma, só você.
E então odeio Clarice ainda mais.
edit: versão 1.0, esperando ser editado
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Bobeirinha trivial III - Ao Pedro
Busco as rimas, nunca arredo.
Mesmo difíceis, eu cismo
Porque, eis o meu segredo,
Adoro um bom preciosismo!
(Você, por mim :P)
Mesmo difíceis, eu cismo
Porque, eis o meu segredo,
Adoro um bom preciosismo!
(Você, por mim :P)
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Parte 2
Eu tenho inveja de você
E de suas putas novas,
Novas putas, de azeite de dendê!
Você não lê mais as minhas trovas,
Eu te odeio,
E no meio disso tudo,
Sem rodeio,
No meio desse velho caralho cabeludo,
Eu cuspo no teu nome,
Eu canto. Aqui, tome
A tua velha carta
De compromisso... Estou farta!
Venho aqui me despedir,
Está na minha hora de ir,
Cuida das tuas crias,
Que não estarei nas cercanias.
Ensina-lhes o que precisarem,
Que eu decidi que sou egoísta,
Não se importe com o que custarem,
Eu vendi aquele colar de ametista,
Que você me deu de aniversário
(Você era extraordinário!)
Agora eu me vou, nada pasma...
(Lembra-te: o mais novo tem asma).
E de suas putas novas,
Novas putas, de azeite de dendê!
Você não lê mais as minhas trovas,
Eu te odeio,
E no meio disso tudo,
Sem rodeio,
No meio desse velho caralho cabeludo,
Eu cuspo no teu nome,
Eu canto. Aqui, tome
A tua velha carta
De compromisso... Estou farta!
Venho aqui me despedir,
Está na minha hora de ir,
Cuida das tuas crias,
Que não estarei nas cercanias.
Ensina-lhes o que precisarem,
Que eu decidi que sou egoísta,
Não se importe com o que custarem,
Eu vendi aquele colar de ametista,
Que você me deu de aniversário
(Você era extraordinário!)
Agora eu me vou, nada pasma...
(Lembra-te: o mais novo tem asma).
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Parte 1
Ilumine suas placas, eu estou chegando.
Numa morte anunciada, e pouco crônica,
(espero ter-lhe enviado o memorando!)
chego e te digo, meu amor, hoje estou tônica.
E não mais me importo,
com métrica ou dialética,
nem com soar brega ou frenética,
Em meu próprio caos hoje me conforto.
E para que estrofes, meu amor,
Se não para dividir o meu sentimento indivisível?
Esse meu ardor,
Essa coisa tola e imprevisível!
Mas enfim, acabei me perdendo
Neste inútil meta-adendo,
Que só é intencional
Porque posso e sou a tal.
Como dizendo vinha:
Que saudade a minha
Dos tempos em que ainda
Eu era tua, e tu dizia que eu era linda...
Mas esses tempos passaram
E agora estou de volta,
Carrego os filhos que te amaram
E as marcas que minha pele não solta.
Me olha, me olha de novo,
Diz meu nome incrédulo, filho da puta,
Não finge que não escuta!
Quero te foder e ser teu estorvo!
Numa morte anunciada, e pouco crônica,
(espero ter-lhe enviado o memorando!)
chego e te digo, meu amor, hoje estou tônica.
E não mais me importo,
com métrica ou dialética,
nem com soar brega ou frenética,
Em meu próprio caos hoje me conforto.
E para que estrofes, meu amor,
Se não para dividir o meu sentimento indivisível?
Esse meu ardor,
Essa coisa tola e imprevisível!
Mas enfim, acabei me perdendo
Neste inútil meta-adendo,
Que só é intencional
Porque posso e sou a tal.
Como dizendo vinha:
Que saudade a minha
Dos tempos em que ainda
Eu era tua, e tu dizia que eu era linda...
Mas esses tempos passaram
E agora estou de volta,
Carrego os filhos que te amaram
E as marcas que minha pele não solta.
Me olha, me olha de novo,
Diz meu nome incrédulo, filho da puta,
Não finge que não escuta!
Quero te foder e ser teu estorvo!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Descanso
E quando a glória sobre ti cair,
Senta-te, amigo, para descansar.
Pois da vitória tu tens de fruir
E mais eu digo: até se isolar
Porque o guerreiro ao fim da batalha
Merece a paz do que vem finda a guerra,
Tirar o cheiro de sangue da malha,
E gozar mais ter ficado na Terra.
Porém, meu caro, não te acostumes
Com esse raro momento de nada
Posto que a Sorte de ti tem ciúmes
E chama a Morte - a grande aliada -
Para que mate a amada e, então, te dar
Outro combate em que possas lutar!
Senta-te, amigo, para descansar.
Pois da vitória tu tens de fruir
E mais eu digo: até se isolar
Porque o guerreiro ao fim da batalha
Merece a paz do que vem finda a guerra,
Tirar o cheiro de sangue da malha,
E gozar mais ter ficado na Terra.
Porém, meu caro, não te acostumes
Com esse raro momento de nada
Posto que a Sorte de ti tem ciúmes
E chama a Morte - a grande aliada -
Para que mate a amada e, então, te dar
Outro combate em que possas lutar!
Bobeirinha Trivial II ou Agradeço
Agora, meu caro, imagina
Que loucura que seria
Se eu nascesse Maria?
Será que me acostumaria
A ser eu dentro de uma menina?
E teria a mesma consciência
Se nascesse em outra existência?
Teria os pensamentos meus
Se tivesse nascido Mateus?
Agradeço, pois, a Deus,
por não ter nascido em outros eus.
Que chato seria ser estrangeiro
Tendo a alma de brasileiro!
Cigarro fora do cinzeiro,
Naco de carvão fora da mina,
Francês em terra argentina!
Agradeço, pois, a Alah,
por não ter nascido lá.
Mesmo com certos pesares
Prefiro bem mais estes ares
E apesar da dureza em si
Ainda bem que eu me nasci!
Que loucura que seria
Se eu nascesse Maria?
Será que me acostumaria
A ser eu dentro de uma menina?
E teria a mesma consciência
Se nascesse em outra existência?
Teria os pensamentos meus
Se tivesse nascido Mateus?
Agradeço, pois, a Deus,
por não ter nascido em outros eus.
Que chato seria ser estrangeiro
Tendo a alma de brasileiro!
Cigarro fora do cinzeiro,
Naco de carvão fora da mina,
Francês em terra argentina!
Agradeço, pois, a Alah,
por não ter nascido lá.
Mesmo com certos pesares
Prefiro bem mais estes ares
E apesar da dureza em si
Ainda bem que eu me nasci!
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